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Mantega reduz previsão de alta do PIB para este ano

O Estado de S. Paulo - 23/05/2012
 

 

Ministro da Fazenda admite que investimentos não estão crescendo como o governo queria e sinaliza novas medidas


O Ministério da Fazenda revisou para baixo a projeção de crescimento do País neste ano e deu sinais de que poderá ter de recorrer a mais estímulos para aumentar o investimento. Em audiência pública no Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revisou de 4,5% para 4,0% a previsão oficial de crescimento. Ele citou ainda estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que mostra que o agravamento da crise internacional pode reduzir o PIB de países da América Latina em mais 1 ponto
porcentual. Se isso acontecer, o Brasil crescerá pouco mais que os 2,7% registrados em 2011. Mantega disse que não é fácil acelerar o crescimento em um cenário internacional adverso e que o desafio é aumentar o investimento. Depois dos números fracos do primeiro quadrimestre, a expectativa do governo é de uma retomada do crescimento a partir deste mês.

O ministro avalia que a situação externa está se agravando, mas disse não acreditar em um cataclismo. “Mesmo que a Grécia saia do euro, haverá um mês, um mês e meio de turbulência, mas vamos superar”, afirmou. Em outra audiência no Senado, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, também falou sobre a necessidade de elevar os investimentos dos atuais 20% do PIB para 25%. “Alcançar esse patamar é situação ‘sine qua non’ (fundamental) para adequar a indústria para a competitividade.” O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, também no Congresso, afirmou que é um equívoco dizer que o modelo econômico brasileiro é baseado no consumo. “Impossível pensar em plano de investimento se o mercado doméstico não estiver aquecido. O empresário tem espírito animal e precisa do mercado dando sinais de vitalidade para sentir confiança e animar-se a investir.”

Mantega admitiu ser difícil desonerar o PIS e Cofins, o que poderia ajudar no investimento, porque a Lei de Responsabilida-de Fiscal obriga a substituição
dessa receita por outros tributos, mesmo quando há excesso de arrecadação. Por isso, o governo optou por cortar o IPI e o IOF.