Em dificuldades, bancos gregos sofrem com saques
| Valor Econômico - 16/05/2012 |
Schaeuble, ministro alemão: acordo com Grécia não pode ser renegociado Clientes gregos retiraram € 700 milhões dos bancos locais na segunda-feira, afirmou o presidente do país, alertando que a situação enfrentada pelas instituições é muito difícil. Em uma transcrição dos comentários feitos pelo presidente Karolos Papoulias a líderes políticos gregos, divulgada ontem, ele afirmou que os saques somados a ordens de compra de bônus alemães totalizaram € 800 milhões. Citando uma conversa que teve com o presidente do banco central do país, George Provopoulos, Papoulias disse que a força dos bancos está muito frágil neste momento. Segundo o "Financial Times", desde o último dia 6 mais de € 5 bilhões já foram sacados dos bancos do país. Os bancos gregos viram um significativo declínio nos depósitos desde o início da crise de dívida do país, em 2009. Nos últimos dois anos, o fluxo de saída de depósitos ficou, em geral, numa média de € 2 bilhões e € 3 bilhões por mês, apesar de ter atingido a marca de € 5 bilhões em janeiro. Os dados mais recentes do banco central da Grécia apontam que os depósitos totais detidos por residentes e companhias estava em € 165,36 bilhões em março. Ontem o governo do país anunciou que honraria completamente um título de dívida que está vencendo e que não está incluído na reestruturação de sua dívida. Todavia, afirmou que esse pagamento não necessariamente cria um precedente. "A República Helênica anunciou que pagará dentro dos prazos o principal e os juros de bônus de aproximadamente € 435 milhões que vencem nesta data", disse o Ministério de Finanças em comunicado. "A decisão ponderou cuidadosamente todos os fatores relevantes e implicações, bem como a atual conjuntura", acrescentou o comunicado, apontando que o pagamento "não prejudica decisões futuras sobre o tratamento dos bônus remanescentes não envolvidos na reestruturação da dívida". Embora o pagamento seja pequeno, a decisão de não fazê-lo poderia ser vista como um precedente preocupante para os mercados de dívida da Europa e assustaria os investidores. O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, insistiu que os termos do acordo da Grécia com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não podem ser renegociados. Já o ministro sueco Anders Borg afirmou que o país deve decidir se quer ou não permanecer na zona do euro. Os comentários vieram depois do encontro mensal dos ministros das Finanças da UE, realizado nesta terça-feira, e pouco antes do debate entre partidos políticos da Grécia ter terminado sem um acordo, abrindo caminho para novas eleições. "Todos somos da opinião de que o que foi acordado com a Grécia ainda é válido", disse Schauble. Jorg, por sua vez, alertou que a Grécia pode estar perto de sair do grupo. "Estamos muito próximos do fim da linha. A situação é muito séria." A Alemanha quer que a Grécia seja mantida na zona do euro, apesar da indefinição em torno das eleições. No entanto, os gregos devem respeitar as exigências dos credores internacionais, independentemente do resultado da próxima votação, disseram parlamentares integrantes do partido conservador alemão, do qual a chanceler Angela Merkel faz parte, em entrevista à "Dow Jones Newswires". "Eu quero que a Grécia permaneça na zona do euro, mas espero que os compromissos sejam mantidos. Se os gregos quiserem, podemos discutir o adiamento dos financiamentos. Entretanto, não vamos tolerar nenhuma mudança nos acordos, e o cronograma das metas e reformas precisa ser cumprido", disse o líder parlamentar ligado à base governista Michael Meister. Em entrevista separada, Michael Fuchs, outro líder parlamentar que apoia o governo de Merkel, afirmou que a Grécia só deve receber o financiamento se continuar respeitando o acordo com a "troika" - composta pelo Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e pelo Conselho Europeu. |




