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Yuan, mão de obra e energia já estão mais caros

Autor(es): Por Rodrigo Pedroso | De São Paulo
Valor Econômico - 14/05/2012
 

Os custos de produção na China aumentaram nos últimos anos, mas a alta ainda não é suficiente para fazer que fabricantes estrangeiros instalados no país reavaliem a relação custo-benefício. Pelo menos é o caso da Macéa, empresa brasileira que produz cerâmicas no país asiático para vender no mercado latino americano.

De acordo com o presidente da companhia, José Paulo Macéa, os aumentos recentes registrados nos salários, na energia elétrica e no óleo na China e a valorização do yuan frente ao dólar e ao real devem encarecer a produção em cerca de 5% nos próximos meses. Apesar disso, fabricar a 16 mil quilômetros dos clientes continua sendo mais rentável do que produzir em solo brasileiro. "Existe esse movimento de alta no custo da produção, mas ainda não é significativo. Essa tendência de aumento vem acontecendo há uns três anos e já estava prevista. Mesmo assim, ainda compensa. Há muito mais agilidade em produzir na China. Lá o governo estimula a produção, o uso de tecnologias novas, existe menos burocracia e impostos. Aqui acontece o contrário", diz.

Em operação desde 1997, a fábrica chinesa foi responsável por metade da produção da empresa de cerâmica no ano passado, que manda para a Ásia os pedidos que a planta brasileira não consegue produzir. Como os produtos são feitos por encomenda, o empresário diz que aumenta a margem de lucro para amortecer custos não previstos quando algum contrato é fechado. "É uma estratégia para ter mais segurança", afirma.

Com isso, a previsão da Macéa é que o faturamento neste ano fique no mesmo patamar do registrado em 2011: US$ 15 milhões. A perspectiva de estagnação é feita com base na demanda do mercado, que deve manter o mesmo ritmo do ano passado.

A apreciação do yuan - que foi de cerca de 14% em relação ao real nos últimos 12 meses - é um fator de impacto mais recente na visão do empresário, que prevê um quadro de pressão de custos nos próximos anos. O "custo China" deverá ser influenciado pela forte pressão dos trabalhadores daquele país para o aumento dos salários, assim como a crescente demanda por energia elétrica e óleo vai ser responsável por manter esses preços aquecidos no mercado do maior parceiro comercial do Brasil.