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Não cumprir com a palavra gera dano enorme

O Globo - 22/04/2012
 

 

Principal opositor de Cristina Kirchner diz que a Argentina está decadente e sofre de falta de confiança internacional

ENTREVISTA

BUENOS AIRES. O chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, principal opositor do governo da presidente Cristina Kirchner, teme que a expropriação da Repsol-YPF provoque um dano profundo na credibilidade do país e, portanto, afaste futuros investimentos. O risco de isolamento da Argentina, disse Macri em entrevista ao GLOBO, é grande. O líder e fundador do Pro, por enquanto o único que já confirmou sua candidatura presidencial para 2015, assegurou que sua principal preocupação "é a qualidade institucional que terá a YPF, que está sendo comandada pelas mesmas pessoas que provocaram a perda do autoabastecimento energético na Argentina". No ano passado, Macri foi reeleito com mais de 60% dos votos e hoje é o único político argentino reconhecido por Cristina como adversário.

MAURICIO MACRI: Claro que existe esse temor e por isso me opus à expropriação da Repsol-YPF. Não cumprir com nossa palavra provoca um dano enorme em nosso relacionamento com o mundo. Além disso, vamos nos endividar em bilhões de dólares por muitos anos, quando nossa prioridade é investir para ter mais energia.

MACRI: Não sei, temos de esperar. Mas, claramente, já provocou perda de confiança e isso afasta investimentos, representa menos empregos para os argentinos, menos crescimento, menos oportunidades.

MACRI: Historicamente, competíamos com o Brasil, e nossa posição atual mostra a decadência e a falta de confiança que existe em relação a nosso país.

MACRI: Claro que se pode investir na Argentina, precisamos de um ciclo de investimentos forte, como tivemos no governo do presidente (Arturo) Frondizi (1958-1962).

MACRI: Não sei se neste ou no próximo governo. Os investimentos devem ser pensados a médio e a longo prazos e nós continuamos tendo recursos, talentos humanos. Os governos passam.

MACRI: O maior dano que vamos sofrer é a imprevisibilidade. Não poderemos mudar nada daqui a quatro anos. Mas esperemos que a YPF seja previsível.

MACRI: Seria muito bom. O que mais nos preocupa é a qualidade institucional que terá a YPF, que está sendo comandada pelas mesmas pessoas que provocaram a perda do autoabastecimento energético na Argentina. São os mesmos que administram mal o sistema ferroviário e a Aerolíneas Argentinas.

MACRI: Isso me entristece, não estão visualizando a importância de cumprir com a nossa palavra.

MACRI: A própria presidente votou a favor da privatização em 1992 e agora decidiu que a Repsol era a culpada de todos males do país. Ela não tem muita autoridade moral para propor esta medida.

MACRI: Admiro a presidente Dilma e, principalmente, sua política de combate à corrupção. Nossos países não serão competitivos se não reduzirmos o nível de corrupção.

MACRI: É um capítulo penoso de nossa história democrática.

MACRI: Vamos esperar o avanço do processo judicial. (Janaína Figueiredo)

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