Tesouro pretende manter captações externas em reais
| Autor(es): Por João Villaverde e Thiago Resende | De Brasília |
| Valor Econômico - 19/04/2012 |
O Tesouro Nacional manterá a política de emissão de títulos públicos ao exterior denominados em reais, de forma a abrir caminho para captações externas de empresas brasileiras e, adicionalmente, evitar a valorização do real. A estratégia foi detalhada ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, para quem a venda de R$ 3,15 bilhões em bônus denominados em reais com vencimento em 2024 a investidores estrangeiros, entre terça-feira e ontem, foi um sinal importante para o mercado. O resultado obtido - o Tesouro pagará juros de 8,6% ao ano aos investidores, a menor taxa para essa modalidade de bônus na história - aponta, segundo Augustin, que o caminho para novas emissões está aberto. O Tesouro também aproveitou a operação de emissão de bônus em reais para recomprar papéis semelhantes, mas de vencimento em 2016 e 2022. Até fevereiro havia R$ 6,5 bilhões destes papéis em estoque no mercado. "Os investidores externos estão cada vez mais interessados em manter aplicações em títulos do governo brasileiro denominados em reais", disse Augustin. "A recompra é importante para o investidor que deseja manter sua aplicação, e pode, com isso, ter um papel mais atualizado." Depois de participar de reunião com deputados da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, ontem, o secretário do Tesouro afirmou que com essas operações os investidores podem aplicar em reais sem entrar no Brasil, "e aí o real não vai se valorizar em excesso". "Nosso objetivo com essas emissões é duplo: não valorizar o real e melhorar nossa curva de juros", disse Augustin, que também citou que a emissão soberana abre caminho para operações de companhias privadas. A operação foi concentrada nos mercados americano e europeu, onde a emissão chegou a R$ 3 bilhões. Os R$ 150 milhões restantes foram vendidos na Ásia, em valor abaixo do teto de R$ 300 milhões previsto para a região. Augustin, no entanto, relativizou o pequeno apetite dos asiáticos. "Não há nada de errado, o investidor asiático continua muito interessado nos papéis brasileiros", disse. A liquidação financeira ocorrerá em 27 de abril e os cupons serão pagos semestralmente até o vencimento, em janeiro de 2024. A última vez em que o Brasil vendeu títulos denominados na moeda local havia sido em outubro de 2010. Na ocasião, o Tesouro reabriu uma emissão de bônus em reais com vencimento em 2028 e captou R$ 1,1 bilhão. O rendimento aos investidores naquele momento foi de 8,85% ao ano. |




