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Partido não esconde mágoa com tucanos

O Globo - 15/04/2012
 

 

Antigo aliado, PSDB é visto como legenda "fominha", diz deputado

Na hipótese de o Tribunal Superior Eleitoral dar ganho de causa ao PSD, repassando ao partido do prefeito Gilberto Kassab os minutos de TV e os milhões de reais, o debate sobre fusão tende a ser antecipado. Aí sobrevém um outro problema para a legenda: que caminho seguir.

Dentro do DEM há nitidamente uma mágoa acentuada com o PSDB, aliado preferencial das últimas cinco eleições presidenciais. Os Democratas se queixam que não têm sido respeitados como deveriam. Prova disso é que na enquete feita pelo GLOBO na última semana, o PMDB foi de longe o partido preferido em caso de fusão, obtendo o dobro de votos do PSDB.

- Ir para o PSDB é ser praticamente engolido. Não dá. Eles são fominhas. Mas o PMDB é um partido malvisto, com fama de fisiológico - diz o deputado Júlio Campos (MT), diagnosticando a encruzilhada democrata.

Campos refere-se às dificuldades que o DEM encontra para obter apoio dos tucanos. O DEM lidera as pesquisas em Salvador com o deputado ACM Neto e disputa a liderança em Recife, com Mendonça Filho. Apesar de os nomes do PSDB terem nessas cidades intenções de voto muito inferiores às dos democratas, os tucanos até agora não aceitaram fechar aliança. O quadro se repete Brasil afora.

- O problema hoje é que o PSDB não nos valoriza. Por isso há quem defenda hoje a aproximação com o PMDB. É preciso definir se essa é ou não é uma aliança, que implica em um partido ajudar o outro - afirma o deputado Rodrigo Maia, ex-presidente da sigla e candidato à prefeitura do Rio. - O nosso negócio é nos sentirmos parte do projeto majoritário do Aécio, como não nos sentimos no do Serra.

Uma prova do grau de preocupação da legenda com a disputa eleitoral deste ano é o fato de quase todo parlamentar da sigla saber na ponta da língua grandes cidades onde são favoritos: Salvador, Aracaju, Macapá, Mossoró, Feira de Santana, Caruaru e Vila Velha. Como herdeiro do velho gigante da ditadura, o DEM sabe que sem governos, não há quem resista.

- Há um grupo de parlamentares que, mesmo tendo ficado na oposição, se sente ameaçado. O senso crítico no Brasil passou a ser crime - avalia o democrata goiano Ronaldo Caiado.