Com giro forte, bolsa tem 8ª alta seguida
| Autor(es): Beatriz Cutait |
| Valor Econômico - 27/01/2012 |
O bom humor que contagia as operações da bolsa brasileira há uma semana continuou ontem. Mesmo com a pequena correção de Wall Street, o Ibovespa conseguiu marcar a oitava valorização seguida e chegou a testar a linha dos 63 mil pontos. Nem a queda das ações mais relevantes do índice - Vale e Petrobras - conseguiu impedir o movimento positivo, que foi liderado por papéis de empresas atreladas ao mercado interno, como de construção, consumo e bancos. O Ibovespa operou no "azul" ao longo de todo o pregão e chegou a subir mais de 2%, quando se aproximou dos 64 mil pontos. À tarde, contudo, pressionado pelas "blue chips", o índice reduziu os ganhos, indicando que uma correção técnica pode estar bem próxima. Ibovespa subiu 0,75% e fechou aos 62.953 pontos Ainda assim, o Ibovespa fechou com alta de 0,75%, aos 62.953 pontos - maior nível desde 5 de julho de 2011 (63.038 pontos). O giro financeiro atingiu expressivos R$ 7,891 bilhões. Na semana, a bolsa brasileira já avança 1% e, no ano, 10,9%. Em apenas oito dias, o Ibovespa subiu 6,4%, a maior sequência positiva desde o fim de julho de 2010. Após o feriado em São Paulo, que deixou o mercado brasileiro fechado anteontem, investidores começaram o dia dispostos a buscar o que "perderam". Dessa forma, os comentários feitos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que animaram os agentes, voltaram a "fazer preço" nos mercados. Após preservar os juros básicos da economia americana no patamar entre zero e 0,25% ao ano, a instituição indicou que espera manter as taxas baixas pelo menos até o fim de 2014. De quebra, o presidente do Fed, Ben Bernanke, ainda disse que uma nova rodada de recompra de títulos, chamada de "quantitative easing", está "à mesa". Como se a notícia não fosse importante o suficiente para desencadear um movimento mais forte de apetite por ativos de risco, o Banco Central brasileiro também quis participar da "festa". Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, o BC apontou que a taxa Selic tem "elevada probabilidade" de se deslocar para patamares de um dígito. As duas sinalizações foram suficientes para nortear a atuação compradora dos investidores, colocando mais uma vez as preocupações com a crise europeia e o impasse entre Grécia e seus credores internacionais em segundo plano. O sócio-diretor da Queluz Asset Maurício Pedrosa avalia que o bom desempenho do mercado neste início de ano reflete uma alocação tradicional de recursos no período e a comemoração dos investidores com o fato de a economia não ter entrado em colapso. "Os preços pediram uma correção e a Petrobras, principalmente, foi beneficiada, ainda mais com a mudança de gestão e com a defasagem em relação aos seus pares internacionais", diz. Pedrosa alerta, no entanto, que ainda falta muito para o movimento representar uma tendência de alta consistente do mercado acionário brasileiro. "O ano só vai começar agora. Vimos uma forte procura dos estrangeiros pela bolsa, mas em grande parte pela atratividade de Petrobras, que já não está tão barata", assinala. "O ano ainda reserva algumas turbulências, mas estamos entrando numa perspectiva favorável, com a redução da taxa de juros". Beatriz Cutait é repórter de Finanças |




