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Giro de opção de venda é o 3º maior da história

De Olho na Bolsa
Autor(es): Daniele Camba
Valor Econômico - 09/02/2010
 

A piora recente do mercado não poupou nem o exercício de opções - direito de comprar ou vender uma ação em uma data futura por um preço previamente estabelecido. O principal efeito da desvalorização da bolsa sobre o exercício foi o alto volume das opções de venda, algo bastante incomum. No total de ontem, as opções de venda representaram R$ 1,04 bilhão, quase empatadas com as de compra, R$ 1,15 bilhão. Esse é o terceiro maior giro da história em opções de venda. O primeiro foi no exercício de dezembro de 1994, quando as opções de venda totalizaram R$ 1,712 bilhão. Já o segundo foi logo em seguida, em fevereiro de 1995, quando foi de R$ 1,320 bilhão. Como as ações registraram quedas acentuadas nas últimas semanas, o investidor que comprou uma opção de venda (tem o direito de vender uma ação) tinha todo o interesse em exercer o seu direito de vendê-la por um preço superior ao que ela vale no mercado.

 
Foto Destaque

Outro efeito da queda da bolsa sobre o exercício de ontem foi o baixo volume. O giro foi de apenas R$ 2,2 bilhões, o que significa uma queda de 58% ante o giro de R$ 5,253 bilhões no exercício de janeiro, que ocorreu quando o mercado ainda esboçava uma tendência de alta. Com a desvalorização dos papéis, muitos contratos de opção de compra deixaram de ser atraentes, o que no jargão do mercado é conhecido como "virar pó". Em outras palavras, se uma ação cai, não faz o menor sentido um investidor exercer o direito de comprá-la por um preço mais alto, previamente combinado.

Uma análise um pouco mais detalhada mostra outro aspecto interessante desse exercício. Diferentemente do que ocorre há algum tempo, o exercício não foi dominado pelas opções de Vale e Petrobras. Para surpresa do mercado, depois das opções de compra das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) série A da Vale ao preço de R$ 39,58, as opções de compra das ordinárias (ON, com direito a voto) da OGX ao preço de R$ 17 foram as mais negociadas, com giro de R$ 194,81 milhões. As opções da Petrobras aparecem só em quarto lugar, depois de opções de venda de Itaúsa PN ao preço de R$ 13,47.

Para os analistas, o aparecimento das opções de OGX no ranking das mais negociadas é mais um sinal de que os papéis da petrolífera do grupo de Eike Batista ganham cada dia mais força e visibilidade dentro do pregão brasileiro. Nos últimos meses, uma série de fatores demonstram isso. Por exemplo, o volume médio diário de negócios com o papel veio crescendo. Além disso, em janeiro, ele passou a fazer parte da carteira do Índice Bovespa.

"A ação da OGX veio para ficar e deverá estar entre os principais papéis em termos de negociação da Bovespa nos próximos anos", diz o estrategista para pessoa física da corretora do banco Santander, Maurício Ceará. Ele lembra que as dúvidas com relação ao processo de capitalização da Petrobras também ajudaram no aumento de liquidez da OGX. Muitos investidores dispostos a apostar na valorização do petróleo preferiram as ações da empresa de Eike às da estatal.

Sinal amarelo nos EUA

O mercado brasileiro ontem ensaiou uma recuperação, mesmo que tímida. O Ibovespa fechou em alta de 0,62%, aos 63.153 pontos. Já a bolsa americana acendeu a luz amarela, com o Índice Dow Jones fechando aos 9.908 pontos, em baixa de 1,04%. Essa é a primeira vez desde 4 de novembro do ano passado que o índice encerra os negócios abaixo dos 10 mil pontos. Esses números corroboram a tese de que é precipitado imaginar que a valorização de ontem da Bovespa já significa a volta do mercado à tendência de alta. A bolsa daqui pode muito bem começar o pregão de hoje em queda, refletindo o desempenho negativo de ontem dos EUA.