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Estudo da Fiesp mostra que Alca é mais risco que oportunidade

Autor(es): Arnaldo Galvão
Valor Econômico - 26/07/2002
 


Um estudo preparado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) confirmou o que muitos empresários temiam: a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) significa mais riscos do que oportunidades para a economia brasileira.

Partindo dos resultados comerciais registrados em 1999 e simulando a situação hipotética de tarifa zero para todas as importações em 34 países do hemisfério, o Brasil apresentaria a maior perda de saldo comercial se comparado às projeções para Argentina, Chile, Canadá, Estados Unidos e México (93,22% do comércio na Alca).

Se em 1999 houve déficit de US$ 2,035 bilhões na relação entre exportações e importações no Brasil, as conseqüências tarifárias do acordo da Alca piorariam ainda mais esse resultado: US$ 4,260 bilhões de déficit.

Nessa mesma simulação, os EUA são o país com o maior ganho com a Alca. Seu saldo comercial aumentaria US$ 2,646 bilhões. O México teria perda de US$ 0,6 bilhão. Canadá e Argentina teriam ganhos.

"Quando querem, os Estados Unidos são um rolo compressor. Há absoluta necessidade de reduzir as assimetrias. Se isso não avançar, não dá nem para começar o jogo", alerta o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva.

Na análise comparativa de 12 itens que têm forte impacto na competitividade, o Brasil só não é o pior classificado em cinco deles: carga tributária total, índice de infra-estrutura, gastos com pesquisa e desenvolvimento, exportações de produtos de tecnologia e exportações sobre PIB. Nos outros sete itens é o que tem pior desempenho em: índice de desenvolvimento humano, média de escolaridade, impostos indiretos, crédito ao setor privado, "spread" da taxa de juros e índice de tecnologia.

A direção da Fiesp divulgou ontem esse detalhado estudo de comércio internacional chamado "Benchmarking", com análises, comparações e projeções. Piva revelou que o objetivo é aperfeiçoar a comunicação com os negociadores do governo, mas também "provocar" alguns setores produtivos.

Na interpretação de Piva, só agora os empresários estão saindo da retórica e tirando a emoção das suas críticas à Alca.

A Fiesp informou que os ministros Celso Lafer (Itamaraty) e Sergio Amaral (Desenvolvimento) receberam o estudo há duas semanas. "Impressionou a quantificação de algumas críticas que são feitas há muito tempo, como o efeito cascata dos tributos, por exemplo", revelou o diretor-executivo da Fiesp, Mario Mugnaini.

Sobre as propostas que os candidatos à Presidência têm, Piva lamentou que elas sejam ainda muito genéricas e, portanto, impeçam uma análise mais detalhada do que planejam para as negociações do acordo hemisférico.

Pelas circunstâncias do calendário eleitoral no Brasil, espera-se que a agenda das negociações da Alca sejam "empurradas". Isso porque o governo eleito não teria condições de tomar decisões em janeiro de 2003.

O estudo identificou um grupo de 24 famílias de produtos que têm as melhores oportunidades com a liberalização comercial no hemisfério. Segundo Mugnaini, aí está a prioridade das negociações.

 

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